Top X – Os 10 maiores erros de Dragon Ball Super

Esta é a seção Top X, onde elaboramos um Top que pode ser sobre os mais diversos assuntos. A letra X no título é propositalmente uma incógnita, pois poderemos fazer um Top com qualquer valor.

Dragon Ball dispensa apresentações: é o mangá que originou a franquia de maior sucesso da história do Japão e arrebatou milhões de corações ao redor do mundo. Com roteiro e arte de Akira Toriyama, Dragon Ball foi serializado na Weekly Shonen Jump, da editora Shueisha, entre novembro de 1984 e maio de 1995, totalizando 42 volumes, e sendo o carro-chefe do período que ficou conhecido com a “Era de Ouro” da famosa revista nipônica.

Com o sucesso da obra vieram adaptações em anime, filmes, jogos eletrônicos, livros, jogos de cartas, e diversas outras, notabilizando-se como uma das mais famosas e rentáveis franquias do mundo. No Brasil, o mangá de Dragon Ball foi publicado pela Conrad e posteriormente recebeu nova publicação pela Panini. As séries de TV foram exibidas em diversos canais, abertos e fechados, que popularizaram muito a série nas terras tupiniquins.

Nesse Top X, falaremos sobre uma das adaptações mais recentes e mais populares de Dragon Ball, a série animada Dragon Ball Super, que surgiu como uma “continuação” para Dragon Ball Z, a animação mais famosa da franquia que adaptou a segunda parte da obra original.

Arte promocional de Dragon Ball Super. Créditos: Toei Animation.

Dragon Ball Super preenche o universo Dragon Ball com histórias inéditas entre a derrota de Majin Boo e o encontro de Goku com Oob, evento que põe fim a história original, no mangá. Embora não seja totalmente original de Akira Toriyama, Dragon Ball Super foi supervisionado pelo autor da franquia e alcançou grande fama na última década, revivendo a popularidade de Goku e seus amigos no mundo inteiro. Após o lançamento da Série, o título “Dragon Ball Super” passou a ser empregado em quase todos os lançamentos posteriores, sejam filmes, séries spin-offs e mangás, marcando em definitivo uma nova fase para toda franquia Dragon Ball.

Como era de se esperar de uma série que veio para continuar uma obra terminada há 20 anos, Dragon Ball Super tem alguns acertos e muitos erros. Abaixo segue o nosso Top X com os 10 maiores erros do anime de Dragon Ball Super.

[AVISO: O TEXTO ABAIXO PODE CONTER SPOILERS!!! SE VOCÊ AINDA NÃO LEU OU ASSISTIU A DRAGON BALL SUPER, LEIA POR SUA CONTA E RISCO.]

10 – Piccolo contra Frost

Piccolo é um grande personagem dentro da franquia Dragon Ball e o modo como ele foi tratado no último arco do mangá original, a Saga Boo, já foi bastante estranho. Na batalha contra Frost, dentro do Torneio da “Saga Champa”, podemos dizer que esse tratamento foi vergonhoso. Piccolo sempre foi um grande estrategista e um personagem orgulhoso e com espírito combativo muito forte. Nessa batalha, o mesmo já entrou com medo e espírito de derrotado, resumiu-se a ficar carregando um Makankosappo e sequer tentou medir a força do oponente primeiro, como qualquer guerreiro experiente como ele faria. Uma luta vexatória, com um desfecho ainda mais vergonhoso. Soma-se a isso o fato de Frost, no fim das contas, não ter se provado um oponente tão poderoso como Freeza para tornar tudo ainda mais constrangedor.

09 – Aumento de poder do Freeza e do Androide 17

Desde a luta contra Freeza em Namekusei, Goku e os outros guerreiros Z se fortaleceram a níveis quase inalcançáveis. A volta de Freeza, um vilão marcante, veio para quebrar toda a lógica de poderes até então bem construídas dentro da franquia. Freeza era mais fraco que o Super Saiyajin ordinário de Goku e também do Trunks do Futuro, contudo ao ser ressuscitado no Super, os roteiristas, para que o mesmo voltasse a ser uma ameaça relevante, usaram uma desculpa fajuta de que bastaria ele treinar por alguns meses que alcançaria poderes inimagináveis. Poucos meses depois, Freeza retornou mais forte que Gohan e Piccolo, mesmo em sua primeira forma, e ainda conseguiu uma transformação que o levou a um nível comparado ao Super Saiyajin Blue. Em suma, o Imperador do Mal superou os Super Saiyajins 2 e 3 e se equiparou ao Blue em poucos meses, um aumento totalmente desproporcional e extremamente forçado. O pior é que no roteiro ele não faz sentido, pois depois se provou que Freeza sabia da existência de Majin Boo e de Beerus, logo não era justificado ele não treinar pois não era o mais poderoso do universo.

A lógica para o Androide 17 também é aplicável. O mesmo tinha a força de Piccolo após se fundir com Kami-sama, ou seja, um poder que sobrepujava o Super Saiyajin ordinário de Goku, Vegeta e Trunks, bem como o próprio Freeza. Quando reapareceu, lutou com tanto poder e habilidade que se demonstrou superior até mesmo ao Super Saiyajin 2 e possivelmente ao 3. Teria ele ficado mais forte que Majin Boo? Isso tudo pensando que o Número 17 treinava apenas na Terra – ou seja, não teve máquina de gravidade para treinar nem mesmo a Sala do Tempo – e ainda parecia dedicar-se muito ao trabalho. Bastante forçado, convenhamos.

08 – Ginyu no corpo de Tagoma

Mais um aumento de poder totalmente sem noção. Quando Ginyu trocou de corpo com Tagoma, o mesmo automaticamente usou todos os poderes do guerreiro e pareceu estar ainda mais forte. Um erro gritante, já que quando Ginyu trocou de corpo com Goku, em Namekusei, o mesmo ficou muito mais fraco pois não sabia controlar o corpo novo, o que apontava para a falha principal de sua técnica. Apenas esse ponto já revela o erro grosseiro dessa cena. Isso sem contar o Ginyu derrubar Gohan e Piccolo, que mesmo fora de forma, jamais poderiam estar abaixo do Ginyu mais poderoso visto até então na série.

07 – Hierarquia dos deuses e os Kaiohshins

A hierarquia dos deuses em Dragon Ball já era confusa, mas em Dragon Ball Super ela se tornou ainda mais com a expansão para o multiverso. Em ordem crescente temos: Guardião do planeta (Kami-sama/Dende), Senhores Kaiohs, Grande Senhor Kaioh, Kaioshins, Dai Kaioshin, Deus da Destruição, Anjos, Sumo-Sacerdote e, por fim, Zen-Oh. Aí vem as perguntas: O Kaioshin do Leste assumiu o papel de Dai Kaioshin com a morte dos outros Kaioshin e a absorção do Dai Kaioshin por Majin Boo? Os outros universos não tem um Dai Kaioshin? Ou cada Kaioshin ali apresentado é, na verdade, um Dai Kaioshin? Não levantarei aqui o papel dos Senhores Kaioh, nem mesmo de Emna-Daioh, para não ficar ainda mais confuso. Existem ainda os Makaioh/Makaioshin, como Dabura, que tem posição de divindade no mundo dos demônios (que também não é explicado onde fica exatamente). Enfim, mais dúvidas e possivelmente erros do que explicações. Quem sabe um dia a série explore esse lado e organize toda essa hierarquia para a construção de uma grande Saga? Material para isso já existe.

06 – Os Saiyajins do Sexto Universo

Os Saiyajins do Sexto Universo são uma aberração lógica escorados num recurso de roteiro: serem de universos diferentes. Os universos 6 e 7 são considerados irmãos, e por isso são muito semelhantes, embora suas diferenças sejam consideráveis. A história dos Saiyajins em cada universo é uma dessas grandes diferenças, haja visto que no Sexto Universo o Planeta Sadala nunca fora destruído e os Saiyajins ainda vivam nesse planeta. Dito isso, a lenda do Super Saiyajin parece sequer existir nesse universo, os Saiyajins são mais ordeiros e vivem em seu planeta de maneira relativamente pacífica. Quando Champa recrutou Kyabe, pela lógica, ele deveria ser o mais poderoso ou estar entre os mais talentosos e poderosos Saiyajins no Universo 6, mas isso não se confirma. Pior, o mesmo consegue se transformar em Super Saiyajin com uma facilidade vexatória, pois destrói todo peso narrativo da lenda e da dificuldade que foi a transformação de Goku, Vegeta, Gohan e Trunks.

Kyabe a parte, temos a apresentação de Caulifla e Kale no último arco do anime, duas aberrações lógicas ainda maiores. Ambas são apenas duas adolescentes que viviam em gangues vadias em Sadala, ou seja, nada de especial. Contudo, por força de roteiro, aprendem a se transformar em Super Saiyajin apenas concentrando poder nas costas (???). Pior, elas evoluem para o Super Saiyajin 2 rapidamente no meio da batalha, pois assim o roteiro queria e dane-se a lógica (!). Kale ainda tem o bônus se ser basicamente o Broly de saias, apenas para fazer um fanservice barato, haja vista a notável popularidade de Broly no fandom.

Toda apresentação de Caulifla e Kale, bem como Kyabe, seria menos forçada se pelo menos elas fossem apresentadas como grandes guerreiras em Sadala, talvez até mesmo princesas ou algo tipo. Ainda que não fossem já Super Saiyajins, seria mais verossímil do que duas (ou três) personagens sem nenhum background ganharem tanto poder do nada. Porém, como são universos diferentes a “lógica” de um nem sempre se aplica a outro, uma desculpa fajuta para justificar um roteiro muito mal desenvolvido.

05 – Fusão Potara

O Velho Kaioshin disse a Goku e Vegeta que a fusão Potara era eterna. De alguma forma, Goku e Vegeta se separaram após serem absorvido por Super Boo. Em Super, a fusão de ambos também se esvai rapidamente. Até aí tudo bem, poderia ser uma particularidade dos Saiyajins. Entretanto, porque o Kaioshin do Leste e Kibito se separaram? Nada é mencionado na série. E se, no fim das contas, a fusão Potara não é eterna, então porque o Velho Kaioshin continua fundido à bruxa que tomou seu brinco há milhões de anos? Enfim, um erro incontornável.

04 – Pan voar

A técnica de voar é complexa e exige controle fino do ki. Goten aprendeu a se transformar em Super Saiyajin antes de aprender a voar. Goku, Kuririn e vários outros guerreiros só aprenderam depois de muitos anos de artes marciais. Mestre Kame, praticamente um deus das artes marciais, não domina a técnica. Pan voar, com apenas meses de vida, só pode servir como alívio cômico porque não há lógica nenhuma nisso.

03 – Bulma e Goku não reconhecerem Pilaf e sua gangue

Goku e Bulma enfrentam Pilaf e sua gangue desde os primórdios de Dragon Ball. Já foram reféns deles no início da saga e passaram por poucas e boas com os mesmos. É absurdo Goku, Bulma, Yamcha e outros personagens não reconhecerem Pilaf, Mai e Shu, ainda que eles estivessem crianças.

02 – Usar a Sala do Tempo

É dito em Dragon Ball que uma pessoa só pode permanecer na Sala do Tempo por um período máximo de 2 dias durante toda sua vida, o que faz todo sentido lógico, afinal cada dia na Sala equivale a um ano no tempo real, então alguém que ficasse muitos dias dentro dela envelheceria anos rapidamente. Vegeta e Trunks entraram duas vezes na Sala do Tempo durante a Saga de Cell, contudo em Dragon Ball Super, o príncipe Saiyajin volta a entrar várias vezes, sempre que precisa de um upgrade de poder. Enfim, mais um erro importante que os criadores não se atentaram. Aliás, quantos anos o vovô Vegeta já deve ter após tantas idas à Sala do Tempo?

01 – Personalidade do Goku

Talvez o erro que mais incomodou muitos fãs em todo Dragon Ball Super foi a destruição completa da personalidade de Son Goku, nosso amado protagonista. Goku sempre teve uma personalidade gentil, simples, direta e com um grau de “inocência” comovente. Sua evolução durante toda obra é nítida e essa “inocência” vai sendo transformada ao longo da série. O Goku do final de Dragon Ball é muito diferente do Goku inicial. Ele se torna um verdadeiro gênio das batalhas, reconhecido até mesmo por Vegeta, sendo sua perspicácia e inteligência demonstradas em diversas oportunidades. O Goku do final de Dragon Ball treina Gohan e Oob, domina o Super Saiyajin completamente e desenvolve o Super Saiyajin 3 no puro talento e vocação. O mesmo torna-se pai duas vezes, sacrifica-se em prol das pessoas e cresce como pessoa de maneira exemplar. Em Dragon Ball Super, Goku é reduzido a um imbecil completo que só pensa em lutar com guerreiros fortes, suas qualidades são dizimadas em prol de um egoísmo torpe. Não que isso não fosse parte da essência do Goku, mas resumi-lo a isso é um desastre e tanto. Uma pena que um dos maiores personagens de todos os tempos tenha sido tão mal desenvolvido após tantos anos.

Bônus A Mai do futuro ter a idade de Trunks no futuro

Mai já era adula no início do Dragon Ball, provavelmente ela tem a idade da Bulma ou até um pouco mais. Em Dragon Ball Super, é revelado que Pilaf e sua gangue se tornaram crianças novamente pois fizeram um pedido de rejuvenescimento à Shen Long, e o mesmo atendeu dessa forma. Logo, Mai só é criança na linha do tempo convencional devido esse fato. Há uma piada sutil em Dragon Ball Z Batalha dos Deuses, que sugere um romance entre a pequena Mai e o pequeno Trunks do presente, porém a piada acabou virando um “casalzinho oficial” e os produtores levaram o casal ao futuro de Trunks. Contudo, esse casal é uma impossibilidade na forma como foi apresentada. A Mai do futuro não tinha como ter a idade do Trunks do futuro, pois ela nunca teria encontrado as Esferas do Dragão e pedido rejuvenescimento à Shen Long, isso porque as Esferas não existem no futuro de Trunks, já que Piccolo (e Kami-sama) foram mortos pelos Androides 17 e 18. Mai até poderia estar presente no futuro e ser um par para Trunks, mas ela deveria ser muito mais velha, com idade suficiente para ser mãe dele. Erro grosseiro da série que poderia ter sido resolvido apenas criando outra personagem para ser o par do Trunks, porém a piada boba acima mencionada foi levada longe demais.

Esse era um erro grave em Dragon Ball Super que depois foi corrigido no mangá homônimo, onde é revelado que Pilaf e sua gangue conseguiram as Esferas do Dragão no período de três anos entre a morte de Freeza Cyborg e o aparecimento dos Androides. No desejo de rejuvenescimento, Pilaf, Mai e Shu se tornaram bebês, logo sua idade de aproximadamente 10~12 anos em Dragon Ball Super é compatível. A Mai do futuro também viveu a mesma realidade, tendo sua vida mudado após a chegada dos androides, que assassinaram Piccolo e os outros guerreiros Z, sumindo com as Esferas do Dragão daquele planeta. O que justifica a Mai do Futuro ter idade semelhante a de Trunks, bem como a Mai do presente.

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