Análise – Os 4 tipos de finais para uma história

Apresentamos aos nossos estimados leitores o nosso mais novo quadro: “Análise”.

Como o próprio nome já diz, o objetivo dessa sessão é fazer uma análise mais técnica e que conclua alguma coisa relevante no processo de produção cultural humano. Podemos analisar como determinado fenômeno cultural se manifesta, como uma narrativa é desenvolvida, que tipo de representação tem determinado personagem dentro do contexto ao qual ele está inserido… Enfim, as possibilidades de temas relevantes para serem analisados dentro da cultura são infinitos, e alguns deles traremos aqui. Sejam bem-vindos!

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Há um ditado popular que diz: “A última impressão é a que fica”. Embora muitas pessoas acreditem que o mais importante seja a primeira impressão, não podemos ignorar a importância que uma conclusão tem para uma história. Disso lanço as seguintes perguntas: toda história precisa de uma conclusão adequada para ser considerada boa? É possível construir uma grande narrativa ainda que seu final não seja adequado? Essas são perguntas complexas e suas respostas tendem a serem difíceis se não alisarmos caso a caso.

Ainda assim, observando certos padrões em conclusões de histórias, creio que podemos dividir a impressão deixada por um final em quatro grupos, da mais positiva para a mais negativa. Trago o meu ponto sobre cada uma delas abaixo.

1 – Final surpreendentemente positivo

É aquele final que te surpreende ou que te contempla, amarrando muito bem a temática e/ou o enredo da obra. Esse tipo de final consegue tocar em temas importantes, traz uma grande revelação muito bem elaborada pela obra e, em geral, eleva o espírito do leitor por passar valores e lições importantes. Comumente, as estruturas narrativas e os conflitos dos personagens, bem como seus dramas, são resolvidos sem deixar pontas soltas ou incoerências importantes. Ainda que a obra seja de um nível médio, se o seu final for desse nível, seu valor como obra finalizada tende a ser extremamente elevado.

Alguns exemplos de obras com finais surpreendentemente positivos:

O Senhor dos Anéis, Fullmetal Alchemist Brotherhood, Solanin, The Music of Marie, Onani Master Kurosawa, Hunter X Hunter (anime), Oyasumi Punpun, Ano Hana, Rurouni Kenshin, Yu-Gi-Oh!, Breaking Bad, Ilíada.

2 – Final satisfatório

É aquele final que termina de modo satisfatório, as vezes de forma previsível, mas que se encerra de modo coerente e digno, seja no enredo, seja na temática. Muitas vezes esse tipo de final não traz uma grande revelação ou algo que vá te deixar muito surpreso ou emocionado, mas sua conclusão fecha bem seus conflitos, consegue também passar bons valores e ideias e conclui sua saga, por vezes com pontas soltas, mas sem deixar nada muito importante para trás. Finais satisfatórios tendem a manter o nível da sua obra ou podem até elevá-lo um pouco, mas nada que mude a impressão geral da mesma significativamente.

Alguns exemplos de obras com finais satisfatórios:

Dragon Ball, Death Note, Hoshi no Samidare, Digimon Adventure, Konjiki no Gash, Digimon Frontier, Digimon Savers, Harry Potter, O Rei Leão, 1984, Adimirável Mundo Novo.

3 – Final insatisfatório

É aquele final que termina com uma sensação de frustração importante. A obra geralmente não consegue decolar para o seu clímax e conclusão, e acaba por terminar sem conseguir tocar o leitor/espectador como deveria. Ele não chega a ser um final que deixa o leitor indignado, mas termina com pontas soltas importantes no roteiro, por vezes com sua temática e enredo não bem resolvidos, além de não concluir muitos conflitos e dramas que os mesmos trazem em sua obra. As vezes o ritmo e as sequências finais são desinteressantes, apressadas ou inconsistentes, ainda que nem sempre sejam incoerentes. Finais insatisfatórios tendem a reduzir o nível da sua obra, porém não significativamente. A impressão geral da história permanece a mesma, mas sempre haverá uma ressalva quanto ao pequeno sentimento de frustração com o final, ainda que esse não estrague a obra e que sua construção possa ser proveitosa em algum nível.

Alguns exemplos de obras com finais insatisfatórios:

Slam Dunk, Soul Eater, Monster, Bakuman, Tengen Toppa Gurren-Lagann, Digimon Adventure 02, Azumanga Daioh

4 – Final surpreendentemente negativo

É aquele final que deixa o leitor completamente indignado! Não se fecham os principais pontos do roteiro, não há coesão nem coerência temática e não há resolução dos pontos e conflitos dos personagens. Em termos de enredo e conflitos, o final da obra pouco ou nada acrescenta, sendo na maioria das vezes esquecível como valor artístico e/ou contraditória com os próprios dramas por ela levantados. Esse tipo de final frustra completamente o leitor/expectador e destroi a qualidade da obra, tornando-a quase não recomendável, ainda que sua jornada seja épica.

Alguns exemplos de obras com finais supreendentemente negativos:

Naruto, Bleach, Old Boy, Sword Art Online, Another, Digimon Adventure (2020), Digimon Tamers, Game of Thrones.

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Diante do exposto, voltemos às perguntas inicias: toda história precisa de uma conclusão adequada para ser considerada boa? É possível construir uma grande narrativa ainda que seu final não seja adequado?

As respostas para essas perguntas são complexas, devendo ser analisadas de maneira particular. Entretanto, em linhas gerais, podemos concluir que uma grande obra não precisa ter, necessariamente, uma conclusão épica. Basta que sua conclusão seja satisfatória para não comprometer sua construção. Ainda que seu final seja frustrante, ela pode ser concluída como um grande trabalho se todo o resto da jornada for incrivelmente bom. Todavia, uma história que tenha um final surpreendentemente negativo não pode ser vista de maneira positiva, pois seu término trai muito – quando não tudo – do que ela construiu.

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E aí, o que acharam de nossa análise? Que outras histórias vocês encaixariam em cada uma das categorias acimas? Comentem abaixo!

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