Análise – Afinal, Goku é um pai bom ou ruim?

Este é o nosso quadro “Análise”, a sessão onde fazemos uma análise mais técnica e que conclui alguma coisa relevante sobre algum ponto dentro de algum processo de produção cultural humano. Podemos analisar como um determinado fenômeno cultural se manifesta, como uma narrativa é desenvolvida, que tipo de representação tem determinado personagem dentro do contexto ao qual ele está inserido… Enfim, as possibilidades de temas relevantes para serem analisados dentro da cultura são infinitos, e alguns deles traremos aqui.

Existe no imaginário popular um certo consenso de que Son Goku, o grande protagonista de Dragon Ball, é um pai ruim para Gohan, seu primeiro filho. Muitos ainda fazem piada, dizem que o verdadeiro pai de Gohan é Piccolo, seu mestre. Precisamos discorrer melhor sobre esse tema para desfazer esse estranho pensamento vigente.

A primeira pergunta a ser feita é: o que define um bom pai? Essa é uma pergunta complexa e muitos fatores poderiam entrar na conta para chegar a uma resposta, porém podemos traçar alguns pontos para definir um norte a essa discussão.

Um pai presente, que seja provedor e inspirador, que seja exemplo daquilo que é bom, belo e verdadeiro, que demonstre força, e ainda seja protetor e acolhedor, são todos atributos inquestionáveis para o que aqui queremos definir como um “bom pai”. Agora pensemos: Goku tem esses atributos e consegue transpassá-los para Gohan, seu filho?

Comecemos com o mais polêmico: Goku é inegavelmente um pai ausente para Gohan. Agora, a pergunta mais importante é: por quê? Gohan cresceu com Goku e Chichi até os 4 anos, sendo criado com afeto e proteção demasiada pelos mesmo, tornando-se um garotinho mimado e chorão até tal idade. Após, Goku morre na luta contra Raditz e pela primeira vez Gohan se vê sem o seu pai. Ele é levado por Piccolo que o trata com extrema dureza para transformá-lo num guerreiro, aos cinco anos!

Após um ano, Goku retorna à Terra, salva Gohan, vence Nappa e Vegeta, com ajuda do próprio filho e de Kuririn, porém fica gravemente ferido. Até essa altura, mesmo pouco tendo visto do lado heroico de Goku, Gohan já via seu pai como um grande exemplo a ser seguido. Por fim, Gohan vai à Namekusei com Kuririn e Bulma – Goku ficara na Terra se recuperando – e por lá passa por grandes apuros até ser salvo mais uma vez por seu pai, dessa vez ante as Forças Ginyu, e posteriormente ante Freeza.

Gohan fica mais um ano longe de seu pai, que decide treinar com os Yardrats para aprender o Teletransporte. Na Terra, mesmo longe, Gohan cultiva ainda mais admiração para com o seu pai. Quando retorna, Gohan passa por 3 anos de treinamento intenso com Goku e Piccolo, tornando-se um guerreiro ainda mais completo. Depois, um ano na Sala do Tempo, sozinho com seu pai, onde seus laços se tornam mais fortes e Goku o faz se tornar um Super Saiyajin.

Goku confia tanto em seu filho que permite o mesmo lutar com Cell, sozinho, numa inconsequente e polêmica decisão que, no fim, se provou correta. Gohan, enfurecido, tornou-se um Super Saiyajin 2 e o grande herói da Terra. Infelizmente, nessa batalha, por culpa da prepotência de Gohan, Goku teve de se sacrificar.

Passam-se longos sete anos, onde Gohan se torna um adulto sem a presença do pai. Neste meio tempo, cresce como um grande estudioso mas perde muita da sua essência como guerreiro. Ainda assim, cultiva boas lembranças e tem seu pai como um exemplo para muitas coisas.

Goku retorna à Terra, confia em Gohan para derrotar Boo após seu treinamento com Ro Kaioshin, mas o mesmo falha. Por fim, Goku salva o Universo e Gohan pode viver uma vida tranquila, de estudos, como sempre quis. Seu pai, o grande salvador do Universo segue como o exemplo maior em sua vida.

Em resumo, na questão ausência, todas as vezes, exceto quando decidiu treinar com os Yardrat, Goku não escolheu estar ausente, sendo que morreu para salvar a todos duas vezes. Portanto, o argumento de ausência de Goku é válido mas não justifica para classificá-lo como um pai ruim. Não se cobra presença de alguém que se sacrifica por você. Gohan nunca cobrou.

Goku nunca foi um pai provedor no sentido de trabalhar e prover o alimento para a família, mas essa é uma questão que nunca teve importância de fato. Goku foi o vencedor do 23° Torneio de Artes Marciais após derrotar Piccolo, o que lhe rendeu uma grande quantia em dinheiro. Poderia ter muito mais se participasse de outros torneios. Conquistar dinheiro para ele nunca seria um problema. Vemos Chichi mandá-lo trabalhar, principalmente como agricultor, com intuito apenas de gerar alívio cômico.

Para concluir, todas as outras características acima citadas estão muito presentes em Goku. Como um herói genuinamente bom, ele é um exemplo e farol para Gohan e todos os outros, uma inspiração de força e dedicação, um exemplo para qualquer um buscar se tornar melhor e mais forte a cada dia.

Enfim, para concluir aqui, frisamos que Goku é um grande pai sim! E os fatos trazidos acima corroboram nossa opinião. E você, concorda? Discorda? Deixe nos comentários.

Recomendamos vivamente também a thread feita pelo nosso parceiro @CanalBudokai, no Twitter, sobre o mesmos assunto e outros pontos mais levantados. Leiam!

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