Review – Barbie: um show de confusão e estupidez

Longa abraça agenda ideológica e esquece de criar um roteiro minimamente interessante.

Ficha Técnica:

Barbie

Direção: Greta Gerwig

Produção: Margot Robbie, Tom Ackerley, Robbie Brenner e David Heyman

Roteiro: Greta Gerwig e Noah Baumbach

Gênero: Comédia

Distribuição: Warner Bros. Pictures

Elenco: Margot Robbie, Ryan Gosling, Will Ferrell, Simu Liu, America Ferrera, Ariana Greenblatt, Ncuti Gatwa, Emma Mackey, Alexandra Shipp, Michael Cera, Issa Rae, Kingsley Ben-Adir, Rhea Perlman e Kate McKinnon

Lançamento: 2023

Com uma campanha de marketing muito poderosa por trás de seu lançamento, Barbie foi um dos longametragens mais bombásticos do ano no cinema. Estrelado por Margot Robbie e Ryan Gosling, o filme distribuído pela Warner adapta a boneca mais famosa de todos os tempos para o cinema numa versão blockbuster pela primeira vez.

Aproveitando-se de uma era onde o feminismo é cada vez mais dominante na sociedade, Barbie veio para mostrar o poder do empoderamento feminino na sociedade contemporânea: o problema é que o filme não sabe se quer afirmar esse empoderamento ou criticar o rumo que ele está ou em que papel a boneca esteve e está para tais construções (ou descontruções numa linguagem mais pós-moderna).

Voltemos ao filme. Em termos técnicos, Barbie cumpre seu papel bem. O filme é colorido, com o rosa sendo a cor predominante, e os visuais extravagantes dos personagens da “Barbilândia” fazem jus à ideia de preencher o imaginário infantil e também à proposta original da própria boneca da Matel. A trilha sonora está ali, cumpre seu papel, mas não se destaca em nenhum momento, sendo completamente esquecível. Embora o filme tenha bom cuidado estético, é curioso notar que sua estética não consegue, quando somada ao todo da obra, melhorar sua qualidade. Isso é fruto de sua composição anárquica e vazia em termos de ideias ou mensagens.

O roteiro do filme é completamente caótico. Primeiro, ele não tem uma posição exata se o filme se focará na “Barbilândia” ou no mundo real. Não temos uma definição se as consequências de suas premissas serão especialmente focadas em afetar um ou os dois mundos. Quando o filme parece que desenvolverá algo em relação ao papel da criança e seu imaginário ao brincar com a boneca, ou como a maturidade pode afetar isso, bem como as decepcões inerentes da vida e processos de tristeza e amadurecimento impactam em tudo, ele não segue nenhuma dessas linhas. Retorna para outro ponto e prefere desenvolver uma narrativa de guerra dos sexos onde antes um escanteado Ken começa a observar um “machismo patriarcal” na sociedade e resolve levar isso à Barbilândia.

Essa guerra dos sexos criada não parece impactar o mundo real de nenhuma maneira, apenas as vendas e figuras da Matel. A Barbie é apresentada ao espectador como uma figura dúbil em termos de representatividade para a mulher, pois não se sabe se é vista positivamente por emporar as mulheres no sentido de colocá-las no centro do poder – tal como era originalmente na Barbilândia – ou negativamente, no sentido de criar para a mulher uma figura fútil, consumista e patricinha, em contraponto a uma mulher forte, decidida e independente.

Por fim, uma cascata de eventos sem o menor sentido lógico ou nexo causal levam a mudanças na Barbilândia, com os personagens tentando afirmar e reafirmar posições sociais e representatividade, sejam em quais esteriótipos estejam. Depois de muitas voltas e reviravoltas toscas, os eventos terminam com danças e mensagens que não concluem nada e nem sequer conseguem passar algum dilema para o público, nem mesmo feminista ou “anti-patriarcal”. O único que talvez fique claro desde o início do filme é: ser mãe não parece ser um bom caminho, pois a mulher pode ser o que quiser (há uma Barbie para cada profissão, literalmente!), menos a Barbie mãe. Afinal, ser mãe para uma mulher não parece ser uma opção que a tornará feliz e realizada, certo?

Com tamanha tosqueira e um show de bizarrices, Barbie não consegue sequer ser um filme engraçado, pois todo seu enredo se desenvolve de maneira caótica e sem criar situações realmente cômicas ou minimamente plausíveis. Por fim, se alguma risada surgir será apenas da exposição ao ridículo que o próprio filme se coloca. Assim, ele se consolida como um dos piores dos últimos anos e só deve agradar àqueles que perderam quase todo tipo de inteligência e se contentam em apenas ver cores e frases prontas, sem nenhum sentido maior ou contexto bem desenvolvido que os justifiquem.

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