Análise – Dragon Ball Super se dissociou do End of Z?

Este é o nosso quadro “Análise”, a sessão onde fazemos uma análise mais técnica e que conclui alguma coisa relevante sobre algum ponto dentro de algum processo de produção cultural humano. Podemos analisar como um determinado fenômeno cultural se manifesta, como uma narrativa é desenvolvida, que tipo de representação tem determinado personagem dentro do contexto ao qual ele está inserido… Enfim, as possibilidades de temas relevantes para serem analisados dentro da cultura são infinitos, e alguns deles traremos aqui.

É sabido por todos que Dragon Ball Super se passa entre a derrota de Kid Boo e o epílogo do mangá, popularmente conhecido como “End of Z”. A ideia era trazer novas histórias para preencher a lacuna deixada pelos 10 anos que separam essas partes na obra original. Até aí, tudo bem. O problema é que as novas histórias, trazidas pelo “Super”, parecem cada vez mais distantes do clima e do que foi apresentado no epílogo e, por isso, o encontro das “histórias” deve causar estranheza quando finalmente acontecer.

“Dragon Ball Z” termina com Goku e Oob partindo para uma jornada de treinamento. Créditos: Toei Animation.

Goku esqueceu de Pan e ela também dele. Ambos passaram quase todo período longe um do outro e pouco conviveram. Isso é muito incoerente com o que vimos no “End of Z”, quando Pan admirava Goku profundamente e ele mostrava-se atencioso e valoroso para com a neta.

A grande espera e expectativa de Goku pelo aparecimento de Oob não faz sentido tendo em vista os acontecimento de Dragon Ball Super. Goku sempre se interessou por guerreiros mais fortes, isso ficou claro em diversos momentos. Por exemplo, quando ele tomou conhecimento de Freeza em Namekusei, perdeu o interesse na rivalidade com Vegeta: seu foco passou a ser enfrentar Freeza, instantaneamente.

Em Dragon Ball Super esse comportamento é reforçado. Logo, esperar pela reencarnação de Boo, quando muitos outros seres ainda mais poderosos apareceram, não me parece nada coerente, do ponto de vista do entusiasmo do Goku. Seria coerente se pensarmos que Boo tinha sido a derradeira e mais poderosa criatura da história, como originalmente pensado no roteiro e naquele universo.

Contudo, mesmo desconsiderando os outros universos, oponentes como Bills, Moro, Granolah e Broly, além do retorno de Freeza num nível ridulaculamente acima, mostraram-se em nível similar ou superior ao Boo, tirando totalmente seu peso narrativo e descaracterizando o significado do “End of Z” e o peso narrativo do surgimento de Oob e o interesse genuíno de Goku no garoto.

Broly foi uma das adições ao cânone de Dragon Ball com poder muito acima de Boo.

Se Dragon Ball termina com a ideia de Goku se tornar um mestre e passar o bastão para a próxima geração – representada por Goten, Trunks, Pan e principalmente Oob –, o surgimento dos guerreiros da fase Super e a expansão para o multiverso, tornam essa ideia estranha de diversas maneiras e minam o peso narrativo desse poético final. Afinal, qual o sentido de passar o bastão sendo que há tantos inimigos muito mais poderosos ainda existentes? Por que criar tanta expectativa em Oob se o próprio Boo já não era mais uma entidade com o mesmo peso narrativo de outrora?

Infelizmente, o desenvolvimento de Dragon Ball Super caminha para se tornar cada vez mais dissociado do “End of Z”. Unir novamente as Sagas em algo narrativamente coeso se torna cada vez mais improvável. Veremos como a história avançará.

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