Esta é a seção Top X, onde elaboramos um Top que pode ser sobre os mais diversos assuntos. A letra X no título é propositalmente uma incógnita, pois poderemos fazer um Top com qualquer valor.
Existem incontáveis músicas compostas durante a história, muitas delas de excelente qualidade. Infelizmente, muitas bandas e canções magníficas nunca chegam ao topo das paradas musicais, outras tantas jamais saem do cenário underground. Contudo, temos as exceções, composições geniais que superaram essas barreiras e estão entre as mais populares da história da música.
Enfim, o objetivo dessa lista é citar alguns desses grandes hits e tentar ir além do simples ouvir, dançar e/ou cantarolar, buscando um entendimento maior sobre o que a música em si nos fala, que ideias e conceitos ela expressa e o quão impactante historicamente e socialmente foi e ainda se faz. Então, chega de enrolação e vamos à lista.
5 – Whatever, por Oasis

“Whatever” é uma canção da banda de rock britânica Oasis. Ausente dos álbuns de estúdios oficiais da banda, foi lançada como single avulso em 1994, e posteriormente alocada como décima primeira faixa do disco 2 da coletânea Time Flies… 1994-2009 de 2010. A canção é uma das mais marcantes da banda.
“Whatever” é uma canção simples, de melodia e acordes despretensiosos e letra clara, objetiva, impactante e amplamente identificável. A composição é um autêntico grito por liberdade, mais do que isso uma aclamação pela autonomia do ser humano.
Apesar de repetir e de ser enfática em frisar e autonomia das pessoas, a canção vai além em trechos como “Sempre me parece que você só vê o que as pessoas querem que você veja” e “Quanto tempo vai levar antes de entrarmos no ônibus e por nada você censurar a si mesmo? Não custa muito.”, mostrando uma faceta mais dura ao questionar a censura presente não só por parte da sociedade como por parte de nós mesmo. Assim, a composição mostra-se madura e profunda também ao evidenciar nossos valores, nosso posicionamento crítico e nossa ideia de liberdade, de uma maneira muito mais ampla e engenhosa.
4 – Like a Rolling Stone, por Bob Dylan

“Like a Rolling Stone” é uma canção de 1965, escrita e composta por Bob Dylan, sendo até hoje a principal composição do álbum Highway 61 Rivisited e da carreira de Dylan como um todo. Em 2006, “Like a Rolling Stone” foi eleita a maior canção de todos os tempos pela revista Rolling Stone, evidenciando a grande importância cultural que a composição atingiu ao longo dos anos.
A canção é considerada um marco pois, ao contrário das músicas de sua época, que cultuavam o amor, a letra de Bob Dylan expressa amargura e vingança. A descrição de uma mulher que caiu numa desgraça sem fim, tornando-se nada após ter tudo roubado por “seu diplomata”, como citado no trecho:
“Você costumava cavalgar o cavalo cromado com seu diplomata,
Que carregava em seu ombro um gato siamês.
Não foi difícil quando você descobriu que
Ele realmente não era o que aparentava ser
Após ter te roubado tudo o que podia?”
A letra é muito forte, Bob Dylan faz questão de lembrar a mulher de uma forma acintosa e agressiva, como era sua vida antes e como ela não passa de nada agora. Trechos como “Você costumava rir de todos que vadiavam a sua volta. Agora você não fala tão alto, agora você não parece tão orgulhosa tendo que roubar sua próxima refeição.” e “Quando você não tem nada, você não tem nada a perder. Você está invisível agora, você não tem mais segredos a ocultar”, são brilhantes por ressaltar a vida anterior da mulher, elevando seu status quo somente para jogá-la do mais alto possível ao trazer sua realidade de volta à tona.
O refrão é brilhante e sintetiza a miserável situação da mulher:
“Qual é a sensação?
Qual é a sensação?
De estar sozinha?
Sem rumo para casa?
Como uma completa desconhecida?
Como uma pedra rolando?”
Afinal, o que é mais miserável do que ser uma completa desconhecida, sem ter ninguém a quem recorrer? O que é mais insignificante do que uma pedra a rolar, sem rumos ou direções? Difícil imaginar. O fato é que “Like a Rolling Stone” foi, e ainda é original, e seus versos cheios de rancor e vingança guardam margens para interpretações e sentimentos grandiosos.
3 – Another Brick In The Wall (part II), por Pink Floyd

“Another Brick In The Wall” é uma canção do Pink Floyd, composta pelo baixista Roger Waters, para o álbum The Wall, que foi dividida em três partes. A mais famosa, que será a analisada aqui, é a parte II.
A parte II de “Another Brick In The Wall” começa com o icônico verso “Nós não precisamos de nenhuma educação”, já impactando logo de cara a mensagem principal da música, uma crítica direta ao sistema educacional e as imposições subjetivas da sociedade sobre o que é relevante ensinar e sobre como deve ser esse método de ensino. A letra segue “Nós não precisamos de nenhuma lavagem cerebral, de nenhum humor negro na sala de aula.” Reforçando a ideia central e criticando fortemente o ensino aplicado, o que é imposto aos alunos e como são subjetivos os conceitos e o próprio humor numa escola. Por fim, a estrofe termina com:
“Professores, deixem as crianças em paz.
Ei! Professor! Deixe as crianças em paz!
Em suma, é apenas mais um tijolo no muro.
Em suma, você é apenas mais um tijolo no muro.”
Um final de estrofe de caráter forte, incisivo e chocante. A letra é enfática, o professor é praticamente insignificante perto da complexidade e grandiosidade que é a educação e a formação de uma criança, e, por conseguinte, um cidadão. Ser “apenas mais um tijolo” é a personificação máxima disso, afinal somos a soma de todas as nossas experiências e valores absorvidos, sejam eles vindos da família, da escola, das experiências interpessoais, espirituais ou de quaisquer outras. Os conceitos e ideias subjetivas de um professor ou uma escola não podem sobrepujar ou querer moldar toda uma formação já em construção e que ainda será muito afetada.
A canção continua repetindo a mesma estrofe, mas dessa vez é na voz de um coral de crianças, uma clara e óbvia forma de reafirmação das ideias apresentadas. Um grito contra a doutrinação e a imposição de professores, a favor da liberdade de expressão, do livre arbítrio e da liberdade de uma forma geral, é a síntese da grandiosidade de “Another Brick In The Wall”.
2 – Sunday Bloody Sunday, por U2

“Sunday Bloody Sunday” é uma canção da banda irlandesa U2, primeira faixa do álbum War, lançada em 1983. Narra o conflito (ou melhor dizendo, o massacre) entre jovens protestantes e católicos contra as forças do exercito inglês, que ocorreu em Derry, na Irlanda do Norte, em 30 de janeiro de 1972 e ficou conhecido como Domingo Sangrento. Das 14 vítimas mortas, sete eram menores de idade, sendo que todos estavam desarmados e cinco delas foram alvejadas pelas costas.
A letra do U2, uma das mais políticas da história da música popular, descreve o horror sentido por um observador irlandês frente ao massacre e as calamidades da repressão e da guerra de uma forma geral. A canção é um grito de inconformismo e uma aclamação por paz, pelas vítimas do incidente e um grande questionamento, genialmente sintetizado pelo seguinte trecho: “Há muitos que perderam, mas me diga: Quem ganhou?”.
“Sunday Bloody Sunday” é genial, seus versos são recheados de uma profundidade ímpar, um descontentamento e um grito necessário para o mundo inteiro ouvir. Trechos como “Garrafas quebradas sob os pés das crianças, corpos espalhados num beco sem saída.”, “As trincheiras cavadas em nossos corações e mães, filhos, irmãos, irmãs dilacerados.”, “Vou limpar suas lágrimas, vou limpar os seus olhos vermelhos.” e “E é verdade que somos imunes quando o fato é ficção e a TV realidade. E hoje milhões choram. Comemos e bebemos enquanto eles morrem amanhã.”, são todos trechos que descrevem com maestria o horror de uma guerra urbana, como a destruição nas ruas, a tristeza de ver inocentes como crianças e famílias morrerem e a mídia tentando esconder ou manipular os fatos. Dizeres necessários, questionamentos perfeitos e aclamação imprescindível.
1 – Livin’ On a Prayer, por Bon Jovi

“Livin’ On a Prayer” é uma canção da banda de Rock estadunidense Bon Jovi, lançada em 1986. A música, que tem como tradução de seu título “Vivendo em Oração” é amplamente considerada como a maior composição sobre a fé já realizada na música popular.
A letra começa nos contando sobre Tommy, um trabalhador que ficou desempregado, e passou a depender do salário de sua mulher, Gina, que trabalha o dia inteiro numa lanchonete. A música se prepara para entrar no refrão da seguinte maneira:
“Gina trabalha numa lanchonete o dia todo.
Trabalhando para seu homem, ela traz o seu salário para casa,
Por amor, por amor…
Ela diz: ‘Temos que nos agarrar ao que temos
Porque não faz diferença se conseguiremos ou não.
Nós temos um ao outro e isso já é muito!
Por amor, nós iremos tentar!’”.
Contando a história do casal, a letra entra na fala de Gina, que por sinal é magnífica, demonstrando força, obstinação, cooperação e, acima de tudo, fé. Ela apoia seu marido por amor e temos logo em seguida o refrão, uma explicação de onde vem a base do casal para superar as dificuldades, a fé:
“Oh, estamos quase lá!
Oh, oh, vivendo em oração…
Segure a minha mão, nós vamos conseguir, eu juro!
Oh, oh, vivendo em oração.”
Um refrão que transborda otimismo, esperança, positividade e fé (muita fé!) mesmo numa situação onde tudo leva a sentimentos contrários.
A canção segue, e em seguida é Gina que fraqueja. Nessa hora, Tommy está lá para auxiliá-la, e novamente se agarrarem ao amor que um sente pelo outro e na fé que é a base para sustentá-los juntos e permitirem que continuem acreditando:
“Gina sonha em fugir.
Quando ela chora à noite, Tommy sussurra:
‘Querida, ficará tudo bem, algum dia.
Temos que nos agarrar ao que temos,
Porque não faz diferença se nós conseguiremos ou não.
Nós temos um ao outro e isso já é muito!
Por amor, nós iremos tentar!’”
Novamente uma bomba de otimismo, esperança, cooperação, positividade e fé são confirmadas pela entrada do refrão. Que antes de repetir ainda guarda o seguinte trecho:
“Nós temos que suportar, estando prontos ou não.
Você vive pela luta quando ela é tudo o que você tem.”
Um verso genial, consolador, encorajador e estimulante, capaz de fazer com que nós, cansados pela batalha do dia-a-dia retomemos fôlego e sigamos com nossas lutas diárias.
Por fim, a canção termina repetindo o coro e nos premiando com uma história simples em um enredo cotidiano, mas extremamente rica e capaz de um engajamento quase insuperável para aqueles que andam desanimados, desamparados, desesperados ou mesmo cansados. Um verdadeiro hino sobre fé, amor, encorajamento e companheirismo, este é “Livin’On a Prayer”.

ameeei
CurtirCurtido por 1 pessoa